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Carlos Reiss (Carlinhos ou Bean)
Brasileiro, mineiro, jornalista e estudante.
Mora em Jerusalém, Israel.*

Pra começar, descreve um pouco de ti. O que fazes, profissão, trabalho, estudos, interesse.
Carlos: Sou jornalista formado pela UFMG (em Comunicação Social). Vivo em Jerusalém e estou prestes a ingressar no curso de Mestrado em Relações Internacionais da Universidade Hebraica de Jerusalém.
Tenho interesses bastante diversos, que vão de política à cultura, de esportes à História.
São cinco as palavrinhas que me movem e, da união delas, montei meu círculo de interesses: Jornalismo, Mundo, Cultura, Sociedade e História.
Tenho um Blog já há quase um ano. O "Blog do Bean", no qual conto um pouquinho sobre como é viver aqui em Jerusalém. O link: http://blogdobean.blogspot.com

Quanto tempo faz que moras fora do Brasil?
Carlos: Para essa viagem, 1 ano e 1 mês. Relativamente pouco ainda.

Por que saíste do país? Qual o motivo de estares vivendo aqui?
Carlos: Essa é a pergunta mais difícil que às vezes tenho que responder. São basicamente três motivos. O primeiro é a vontade que sempre tive de pelo menos passar uns tempos sozinho em Israel. O segundo é a possibilidade e a oportunidade de estudar fora do país, numa instituição consagrada, um título reconhecido de Mestrado. O terceiro seria a oportunidade de morar um bocado longe da família, crescer e acumular experiências totalmente diferente.

O que mais gostas daqui?
Carlos: Viver em Jerusalém é como estar num caleidoscópio 24 horas por dia. O que mais gosto aqui é a diversidade de pessoas, de culturas, muitas delas milenares. Isso faz com que o acúmulo de conhecimento e experiências de 1 dia aqui seja parecido com o que tinha em 1 ou 2 anos no Brasil. É impressionante!
Há dias que sou obrigado a falar cinco idiomas diferentes. E adoro.

O que menos gostas daqui?
Carlos: Acho que falta um pouco do jeitinho brasileiro. Não só nos assuntos políticos e de interesse nacional, mas no dia-a-dia.
Sem dúvida, o que me deixa mais triste (e às vezes revoltado) é o extremismo, o radicalismo, o fanatismo, ou seja lá como querem nomear.
Israel vive atualmente um profundo conflito interno, de várias vertentes. Em todas, o elemento do fanatismo está presente. É triste.

O que mais sentes falta do Brasil?
Carlos: Sem dúvida, dos meus amigos. Nem é do Brasil propriamente dito, e sim das pessoas que deixei lá. O único motivo que me faria abandonar os meus planos em Jerusalém e voltar é a falta que eles me fazem.

O que menos sentes falta do Brasil?
Carlos: A violência e a desigualdade social. Aqui não tenho medo algum de andar sozinho na rua à noite, passar por becos ou pegar carona de um desconhecido. Ainda é possível caminhar pelas ruas sem olhar pros lados, sem guardar o relógio no bolso, sem fechar os vidros do carro no sinal de trânsito.
Acostumei no Brasil a escutar o famoso chavão "credo, o que você vai fazer lá no meio da guerra? Cuidado!". As pessoas mal sabem que a guerra e os problemas de verdade estão no Brasil, não aqui.

Queres voltar ao Brasil? Quando? Planos futuros?
Carlos: Pretendo voltar ao Brasil, mas por enquanto não posso determinar nada. Tenho no mínimo mais 3 ou 4 anos de Jerusalém, por isso é difícil fazer planos. Penso em voltar, fazer um Doutorado no Brasil. Mas como vou saber? Quatro anos é muita coisa.
Costumo dizer que não sei o que vou almoçar hoje. Muito menos saber o que farei daqui 4 anos...

Tens algum objeto ou algo que te lembre Brasil, que entendas como parte da tua identidade brasileira?
Carlos: Sim, quem não tem? O mais importante é a mega-bandeira do meu Galo, o Clube Atlético Mineiro, que decora a parede do meu quarto. É realmente gigante.
Também como parte de minha identidade brasileira posso citar uma lata de Skol que guardo na estante e o DVD Acústico do Marcelo D2 que contém, para mim, um som unicamente brasileiro.

O que é ser brasileiro/a pra ti? Na tua opinião qual seria uma característica típica brasileira? Tu a tens?
Carlos: Acredito que não. Não para mim. Para os gringos, sim. O estereótipo do brasileiro é sempre ser um sujeito aberto, totalmente sociável, festeiro e por que não malandro.
Eu acredito não ter nenhuma dessas características. Generalizar o brasileiro é praticamente impossível. Mas os estereótipos estão aí, e muitas vezes fica difícil fugir deles.

Te sentes mais ou menos brasileiro/a por viver fora do país?
Carlos: Certamente, mais brasileiro. Mas tudo não é tão simples como parece. Por ter também cidadania israelense e viver imerso nesse complexo círculo cultural, tendo a me sentir aos poucos também mais israelense aqui.
Apesar de tudo, não existe como não ficar conhecido como "o brasileiro", por mais que tenha carteira de identidade israelense, passaporte e todos os direitos que um cidadão tem. Sou o diferente na sociedade. E a gente acaba se apegando às características que são só suas.

*Entrevista enviada por email por Carlos Reiss. Julho de 2005.