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Marta van Eldik
Brasileira, pernambucana, engenheira. Mora em Arnhem desde 1997.

Pra começar, descreve um pouco de ti. O que fazes, profissão, trabalho, interesse.
Marta: Nasci em Recife- Pernambuco. Nessa cidade que amo morei até 1997, foi quando decidi mudar para a Holanda. Fiz Engenharia Civil na UFPE. Atualmente estou trabalho na área de saneamento da prefeitura de Arnhem (Holanda). Adoro ler, fazer amigos, ouvir música e assistir filmes. Amo a comida brasileira e sinto muita falta dos nossos almoços ao invés dos sandubas que aqui comemos. Gosto de escrever no meu blog www.holambra.bigblogger.com.br através dele tenho conhecido várias pessoas interessantes.

Quanto tempo faz que moras fora do Brasil?
Marta: Fazem 8 anos agora em abril (2005).

Por que saíste do país? Qual o motivo de estares vivendo aqui?
Marta: Saí do Brasil pois meu namorado morava na Holanda e tínhamos que decidir por um dos dois países. Em 1998 nos casamos e desde que vim para cá moramos em Arnhem (capital da Província Gelderland) cidade com 137 mil habitantes e fica perto da fronteira com a Alemanha.

O que mais gostas daqui?
Marta: Adoro a segurança, sair sem ter medo de ser assaltada, ou que sua casa seja arrombada. É lindo ver a mudança das estações. Saber que existe a igualdade das classes sociais, que todos tem direito ao mesmo sistema de saúde. Admiro organização da Holanda e pontualidade. A mentalidade aberta, a diversidade de museus e teatros, a proximidade de outros países.

O que menos gostas daqui?
Marta: Da chuva que dura meses, da frieza das pessoas. Não suporto a mania do europeu de pensar que é melhor que o resto do mundo. De não fazer amigos tão facilmente como no Brasil, do individualismo europeu.

O que mais sentes falta do Brasil?
Marta: Da família (mãe, pai, irmãos e cunhada (o), avós). Das conversas na varanda com meus pais. Dos almoços de domingo. Dos amigos, encontro nos bares, restaurantes, o cineminha do fim-de semana. Da minha afilhada Maria e do meu sobrinho Mateus (que ainda não conheço). De andar na praia de pés descalços. Do sol, do calor. Do calor humano do brasileiro. Da comida que adoro (a tapioca, canjica, pamonha, pé-de-moleque,do cafezinho da tarde etc). De falar português.

O que menos sentes falta do Brasil?
Marta: Com certeza da violência, das crianças e velhos passando fome, pedindo esmola e comendo lixo. Da exploração dos seguros saúde. Do trânsito caótico. Da exploração trabalhista e da falta de organização em certos setores. Das patricinhas e mauricinhos ( burguesia) que tem mania de comprar roupa de etiqueta.

Queres voltar ao Brasil? Quando? Planos futuros?
Marta: Sim quero muito. Quando não sei.

Tens algum objeto ou algo que te lembre Brasil, que entendas como parte da tua identidade brasileira?
Marta: Além de cd's e livros tenho vários objetos de artesanato de Caruaru, Amazônia, Tracunhaem, Olinda.

O que é ser brasileiro/a pra ti? Na tua opinião qual seria uma característica típica brasileira? Tu a tens?
Marta: Ser brasileiro é ter calor humano, ser alegre e aberto para fazer amizades. É ser branco, preto e índio. É demonstrar felicidade com as pequenas coisas. É chorar quando estiver triste (sem esconder a emoção). Puxar conversa com quem não conhece. Ser técnico de futebol quando o Brasil tá jogando. Eu apesar de ser muito calada/reservada adoro fazer amigos e não consigo prender/ ou disfarçar a emoção (seja alegria ou tristeza). Meu sotaque pernambucano irá morrer comigo (visse, oxente).

Te sentes mais ou menos brasileiro/a por viver fora do país?
Marta: Mais, nunca me senti tão brasileira. Fora do seu país você fortalece suas raízes e não admite que alguém venha falar injustiças sobre o Brasil. Você vira uma espécie de embaixatriz (dor) do seu país e se orgulha bastante da terra maravilhosa de onde veio.

Algo mais?
Marta: Adorei a oportunidade de participar desta entrevista.

*Entrevista enviada por email por Marta van Eldik. Março de 2005.