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Alexandre de Sena
Brasileiro, minerio, ator. Está passando uma temporada em Barcelona. *

 

Pra começar, descreve um pouco tua pessoa. O que fazes, profissão, trabalho, interesse.
Alexandre: Estou em Barcelona temporariamente, por alguns meses. Sou ator. Moro em Belo Horizonte, onde atuo em duas companhias como ator convidado: a Burlantins e a Encena. A primeira é um grupo de atores/músicos que encenam operetas de autoria de Tim Rescala e na segunda faço parte do elenco do espetáculo infantil "O Rapto das Cebolinhas", de Maria Clara Machado. Como trabalho com músicos e tenho interesse muito grande pela profissão, me aproximei dos movimentos de congado existentes na capital onde moro através do ator e músico Maurício Tizumba. Com ele participei da fundação do grupo Tambor Mineiro onde dirijo alguns ensaios e dou aulas de tambor. Esse interesse pela música me fez também discotecário. Antes somente em festas de amigos, agora em outros sítios que sou convidado e as pessoas tem o mesmo gosto que eu. Estudo Artes Cênicas na UFMG, onde tive que interromper os estudos para realizar esta viagem.

Quanto tempo faz que moras fora do Brasil?
Alexandre: Moro no Brasil desde o meu nascimento, em 1978. É a primeira vez que me afasto do país.

Por que saíste do país? Qual o motivo de estar vivendo aqui?
Alexandre: Como disse anteriormente, não vivo aqui. Passo essa temporada em Barcelona
motivado pelo Fórum e pela vontade de conhecer novas técnicas teatrais.

O que mais gosta daqui?
Alexandre: Do encontro na mesma noite com pessoas de várias nacionalidades. Essa
multiplicidade de culturas em uma cidade que não pára.

O que menos gosta daqui?
Alexandre: Da precisão dos catalães. As vezes me soa um pouco rude. Talvez porque em
minha cidade natal existe uma grande preocupação no trato com o outro.

O que mais sente falta do Brasil?
Alexandre: Mesmo que agora eu me reconheça com um estrangeiro até mesmo em minha casa, lá me sinto mais à vontade.

O que menos sente falta do Brasil?
Alexandre: Da violência.

Queres voltar ao Brasil? Quando? Planos futuros?
Alexandre: Sim. Já está tudo marcado, dia 05 de julho. Continuar meus trabalhos, com um
olhar diferente tendo em vista esta primeira viajem ao exterior, e iniciar outras pesquisas.

Tens algum objeto ou algo em concreto que te lembre Brasil, que entendas como parte da tua identidade brasileira?
Alexandre: Não diria um objeto, mas a sonoridade da música brasileira. A particularidade dela mesmo tendo vários estilos.

*Entrevista enviada por email e fotos feitas por Karla Brunet em Barcelona. Abril de 2004.