Pra começar, descreve um pouco
tua pessoa. O que fazes, profissão, trabalho, interesse.
Darlly: Tenho 31 anos, trabalhei
muitos anos como criativo publicitário e sempre fui músico.
Nasci no interior de São Paulo, cresci em Minas Gerais
e passei muitos bons momentos na Bahia. E agora trabalho em Barcelona,
exclusivamente com música. A cultura brasileira é
minha principal matéria-prima, principalmente a música
e a literatura. Não sou um profundo conhecedor de nenhum
dos dois temas, mas, sem dúvidas, um apreciador inveterado.
www.trioforrobodo.com
Quanto tempo faz que
moras fora do Brasil?
Darlly: De maneira permanente,
três anos. Mas, já estive por aqui antes.
Por que saíste do país?
Qual o motivo de estar vivendo aqui?
Darlly: Não acho que exista uma
razão única que me levou a sair do Brasil, foi um
conjunto de circunstâncias e sentimentos. Entre desilusão
com o mercado profissional, curiosidade pelo mundo e a busca de
uma vida diferente, tem um pouquinho de cada coisa. Talvez agora
a razão mais forte para continuar aqui seja o fato de poder
exercer minha profissão com uma tranqüilidade e segurança
que o Brasil ainda não me proporciona.
O que mais gosta daqui?
Darlly: A possibilidade de levar
uma vida razoavelmente planejada, conviver com muitas outras culturas
diferentes em uma mesma cidade, ter uma segurança relativa
para ir e vir e a proximidade com outros países interessantes.
O que menos gosta daqui?
Darlly: Aqui pude viver em primeira pessoa
exemplos da capacidade do ser humano para ser, em determinadas
situações, preconceituoso e extremante racista.
O que mais sente falta
do Brasil?
Darlly: Além da minha família,
é claro, tenho muita saudade dos bares, da cerveja, da
cachaça, dos tira-gostos, do ambiente boêmio de Belo
Horizonte. A praia do Arraial d’Ajuda. E dos amigos, sempre
O que menos sente falta
do Brasil?
Darlly: Da violência, da insegurança.
Queres voltar ao Brasil? Quando? Planos
futuros?
Darlly: A vontade sempre existe. Mas não
sei se para viver definitivamente. Agora que já tenho mais
uma família aqui, existe uma divisão natural. O
ideal para o futuro é viver aqui e ter uma temporada de
no mínimo dois meses por ano no Brasil. Sigo planejando.
Tens algum
objeto ou algo em concreto que te lembre Brasil, que entendas
como parte da tua identidade brasileira?
Darlly: Mesmo vivendo tão distante, não estou desligado
do meu país nem da minha cultura. Na minha casa tenho muitas
coisas do Brasil que estão aqui mais por necessidade e
conforto que por fetiche. Por exemplo: meus discos, meus livros,
minha cachaça, minhas havaianas. Mas tudo que concerne
minha vida, meu dia-a-dia, meu próprio comportamento, faz
parte dessa identidade brasileira refletida em mim, não
só meus objetos.
*Fotos feitas por Karla
Brunet em Barcelona em junho de 2004. Áudio e entrevista
enviados por email por Darly .