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Filipe Borne
Brasileiro, gaúcho, relações públicas.
Mora em Londres.*

Pra começar, descreve um pouco de ti. O que fazes, profissão, trabalho, estudos, interesse.
Filipe: Me formei em Relações Publicas pela UFRGS em 1999. Trabalhei na área por um bom tempo, depois fiz um MBA em Marketing, vim para Londres, estudei inglês por um ano e agora estudo Administração de Turismo.

Quanto tempo faz que moras fora do Brasil?
Filipe: Dez meses

Por que saíste do país? Qual o motivo de estares vivendo aqui?
Filipe: Eu tinha um emprego muito bom, mas no meio do MBA vi que se continuasse a carreira profissional desse jeito, em breve seria daquelas pessoas que não podem viajar porque estão sempre presas ao trabalho e tudo seria rotina. Vir para Londres era um vontade antiga, desde a faculdade, mas que a vida profissional sempre protelou.

O que mais gostas daqui?
Filipe: A diversidade de coisas, pessoas, o novo misturado com o velho, a qualidade de vida, a variedade de coisas para se fazer, tantas novas para descobrir, gente de todo o mundo, o ritmo acelerado das coisas...

O que menos gostas daqui?
Filipe: Não gosto das pessoas que vem para um novo lugar e querem retratar seu país em todos os aspectos, considerando tudo que tem por aqui ruim e criando pequenos "guetos" que não se misturam. Isso vale para árabes, indianos, africanos, poloneses e vários outros povos, inclusive nós brasileiros. Acho que a oportunidade que temos de nos integrarmos e trocarmos experiências muitas vezes e sacrificada.
Também não gosto de ver a situação de parte da população inglesa que "se encosta" no governo, recebendo moradia e outros benefícios e então não procura trabalho. Isso e mais complicado de explicar, mas discordo da postura deles.

O que mais sentes falta do Brasil?
Filipe: Algumas coisas: meus amigos, minha mãe, meu quarto, meu carro, comida as vezes, o verão... Como quarto e carro são coisas supérfluas, da para dizer que sinto falta das relações e de não ter de usar roupa de inverno todo o dia.

O que menos sentes falta do Brasil?
Filipe: A violência e a apreensão que temos ao sair para qualquer lugar. Aqui podemos voltar a qualquer hora do dia ou da noite, de ônibus, com extrema segurança. Considero isso qualidade de vida. Com relação as pessoas, não sinto falta da compreensão limitada das pessoas, incluindo preconceito e certos tipos de discriminação.

Queres voltar ao Brasil? Quando? Planos futuros?
Filipe: A maior coisa que aprendi aqui foi que a gente deve sonhar, mas tudo pode mudar a qualquer momento. Recém comecei o curso de Administração de Turismo, então tenho pelo menos mais um ano em Londres. Quero voltar sim, mas não planejo isso agora. Se tudo continuar sendo tão bom quanto foram os últimos meses, vou querer ficar. Quando chegar a hora de voltar vou saber.

Tens algum objeto ou algo que te lembre Brasil, que entendas como parte da tua identidade brasileira?
Filipe: Eu sou um brasileiro estranho, não tomo chimarrão, nem café, nem jogo futebol. Mas quando falam em Brasil, me lembro direto de churrasco com os amigos.

O que é ser brasileiro/a pra ti? Na tua opinião qual seria uma característica típica brasileira? Tu a tens?
Filipe: A alegria. Poucos países tem o privilégio de serem tão alegres como nós. E a maioria estranha o fato da gente conseguir ser feliz mesmo com dificuldades, o que eu considero uma grande virtude.

Te sentes mais ou menos brasileiro/a por viver fora do país?
Filipe: Perdi temporariamente algumas das minhas referencias, como saber de cor onde fica qualquer rua da minha cidade, conhecer os lugares e muitas pessoas. Isso fez uma diferença grande quando comecei a me adaptar aqui. Hoje sinto que não importa aonde eu esteja - e minha vontade de viajar e sair pelo mundo aumenta a cada dia - serei sempre brasileiro.

Algo mais?
Filipe: Devia ter jogado meu emprego pro ar e ter vindo para cá antes.

*Entrevista enviada por email por Filipe Borne. Janeiro de 2006.